Conheça o projeto “Aproveitamento do resíduo da extração da água de coco verde” e saiba quais as formas de utilizá-lo

O coqueiro, uma espécie de palmeira, teve origem no sudeste da Ásia e foi trazido para o Brasil em meados da década de 1550 pelos colonizadores portugueses.

Aqui, os coqueiros se adaptaram muito bem à orla marítima, se tornando cartão postal das praias brasileiras, principalmente da região do nordeste do país.

Mas não foi apenas o coqueiro que se adaptou ao Brasil, o brasileiro também soube aproveitar muito bem a presença dele no seu país.

coco maduro fez surgir uma série de receitas na nossa culinária: cocada, tapioca, leite de coco, óleo de coco, vinagre, açúcar, manteigas e margarinas, além do consumo do coco natural.

Estima-se que 85% da produção nacional seja destinada ao mercado de coco maduro, tanto para consumo culinário in natura, quanto para a fabricação de derivados do coco, como por exemplo, nas de indústrias de cosmético e automotiva.

Com tantas variações e utilidades, podemos concluir que o coco é totalmente aproveitado na nossa cultura, não é mesmo? Não é esse o caso.

O consumo de coco no Brasil

Nas últimas décadas, aumentou muito o consumo de água de coco pela população litorânea brasileira e dos grandes centros urbanos.

Uma bebida deliciosa, nutritiva e terapêutica, que possui composição físico-química parecida com a do soro fisiológico e traz inúmeros benefícios para nossa saúde.

A questão é que para se extrair a água, o coco deve estar verde, pois quanto mais tempo ele amadurece mais seca sua água interna, formando a polpa branca carnuda.

Uma vez extraída a água de coco do coco verde, tanto a polpa como a casca do fruto são, geralmente, descartadas, sendo que muitas vezes o fruto possui polpa em quantidade e qualidade suficiente para aproveitamento.

Além disso, diferente da fibra do coco maduro, já utilizada na agricultura e na indústria, a fibra da casca do coco verde tem baixo aproveitamento.

Os descartes gerados por este agronegócio representam 85% do peso bruto do fruto, cerca de 70% de todo lixo gerado nas praias brasileiras.

Este material é muito volumoso, de lenta decomposição por serem muito fibroso, e como toda matéria orgânica, potencial emissor de gases estufa, proliferando focos de vetores transmissores de doenças.

Mas será que isso representa um volume de descarte significativo para o meio ambiente?

Basta saber que o Brasil é o maior produtor de coco verde no mundo, e possui uma área de plantio estimada em 100 mil hectares do coqueiro-anão, a espécie destinada exclusivamente para o consumo da água-de-coco.

Isso explica por que os resíduos do coco verde são um problema ambiental sério a ser resolvido.

A redução do desperdício de alimentos e o aumento do valor agregado do resíduo podem ser alcançados pela aplicação em produtos industrializados que possam ser comercializados.

Pensando nisso, os alunos do Instituto Mauá de Tecnologia desenvolveram o projeto “Aproveitamento do resíduo da extração da água de coco verde”, um dos vinte projetos que recebem o apoio da Fundação Cargill em 2020.

O objetivo do projeto é desenvolver processos de produção de ingredientes de alto valor agregado e de produtos por meio da utilização do resíduo da extração da água de coco verde.

Está previsto no projeto o desenvolvimento do processo de obtenção de polpa desidratada e sua aplicação na fabricação de produtos alimentícios como sorvete, pães e bolos, substituindo emulsificantes convencionais.

Além disso, almeja-se desenvolver o processo de transformação de casca em fibra para ser aplicada em produtos de panificação.

Quais são as etapas fundamentais do projeto?

As etapas de desenvolvimento do projeto do Aproveitamento do resíduo da extração da água de coco verde estão relacionadas a seguir:

  1. Obtenção da polpa e da casca do coco: determinação da composição química, e das propriedades funcionais da polpa, realização de análises microbiológicas;
  2. Avaliação do processo de secagem da polpa por spray dryer: determinação das condições mais adequadas para obtenção do pó, modelagem do processo de secagem, determinações das características físicas e das propriedades funcionais da polpa desidratada;
  3. Tratamento da fibra: avaliação de diferentes condições dos processos de secagem (estufa) e clareamento para a fibra, análises físico-químicas e avaliação de suas propriedades funcionais;
  4. Desenvolvimento dos processos de fabricação de sorvetes, pães e bolos por meio da aplicação da polpa desidratada: definir as melhores condições de processo, realização de análises reológicas, físico-químicas, microbiológicas e sensoriais nos produtos;
  5. Desenvolvimento dos processos de fabricação de pães e bolos por meio da aplicação da fibra desidratada: definir as melhores condições de processo, realização de análises reológicas, físico-químicas, microbiológicas e sensoriais nos produtos.

O projeto foi aprovado na 5ª Edição do Prêmio Alimentação em Foco, em novembro de 2019, com início em fevereiro de 2020 e duração de 2 anos. Em função da pandemia e consequente suspensão das atividades presenciais da instituição, o projeto foi retomado em setembro de 2020.

Saiba mais na aba projetos do nosso site.

Fonte: Alimentação em Foco

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